Oh, Senhor Dono da Casa!

*Maria Helena Bernardes

------------------------------------------------Galaxy string 4 (fonte Nasa)
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Eram meados de junho. Não fosse o calendário astronômico, nada no crepúsculo morno daquele sábado denunciaria a entrada do inverno. Desde cedo, o ar quente prenunciava o fluxo de energia que desencadearia os acontecimentos da noite por vir, estendendo-os madrugada adentro. Entretanto, tudo aconteceria a partir do instante em que as pessoas decidissem vir para a praça central de Mostardas.


No centro da praça, a vendedora de crepes já estava a postos, instalada sob o caramanchão iluminado, assessorada por um fogão e uma geladeira antigos, agregando um tom caseiro à cena ao ar livre. Espalhados em torno do caramanchão, nossa expectativa crescia. O grupo de coreógrafos, atores e músicos dirigido por Elcio Rossini principiava a se aquecer sem ter certeza se iria ou não tomar parte dos acontecimentos da noite. Tudo ainda estava tão quieto!


Finalmente, as pessoas começaram a se deslocar da festa paroquial em direção à praça, conversando aos pares, dando as mãos às crianças que logo se desprendiam a correr em gritaria. Gradualmente, formava-se uma concentração animada, alimentando uma atmosfera vibrante de festa noturna. Para nosso entusiasmo, os passeios se cobriam com toda a sorte de transeuntes: velhos, jovens, adultos e crianças, homens e mulheres que iam e vinham sob as guirlandas de lâmpadas incandescentes.


Certas situações têm o poder de nos contagiar com uma enorme vontade de viver a vida: o primeiro dia de uma viagem de férias, o aroma forte de um café recém passado, ou, ainda, a visão dessas pessoas descompromissadas, caminhando às dezenas pelas ruas de Mostardas, leves como se a vida fosse sempre assim, fluente e fácil, e como se, bruscamente, pudesse aparecer do nada, vindo do canto escuro da praça, avançando pelo meio das árvores, o Terno de Reis de Mostardas, que surgia cantando em uníssono, ritmado por uma toada, saudando o público de surpresa.


Todos os olhares e ouvidos se voltaram em direção à música. Crescia o canto vindo da esquina em intensidade e volume, violão e acordeon acompanhando as vozes dos cantores que entoavam uma saudação de chegada. As pessoas se agitavam. Entusiasmados com a confirmação da aparição, Elcio e seu grupo misturavam-se também ao público, acercando-se para receber o trio. Os mostardenses mais velhos estavam incrédulos diante da visão extemporânea do Terno de Reis.

Os Reis Magos em junho, o verão dentro do inverno e os televisores desligados em casa, num sábado à noite! Tudo sublinhava o estranho arroubo de energia que cruzava a praça em correntezas.


A noite começava.


“Oh, senhor dono da casa!” - evocavam os três cantores, abrindo o refrão principal da toada. O mais velho deles liderava, risonho e com gestos amplos, lançando improvisos aos outros dois que arrastavam a repetição chorosa, acompanhando-a ao violão. “Abra essa porta, oh senhor dono da casa!” - as pessoas repetiam, entoando em coro o refrão já familiar.


Alguns moradores cochichavam, perplexos. Há quanto tempo não se via o Terno de Reis nas ruas de Mostardas! O trio seguia à risca a tradição e puxava o povo em procissão pelas ruas do centro, dirigindo-se às casas e batendo às portas dos desavisados.


“Oh, senhor dono da casa, abra essa porta!” – reiniciava a toada. Normalmente, o Terno seria acolhido com guloseimas, mas, nessa noite, as pessoas não estavam preparadas e riam de alegria e desconcerto diante da brincadeira profana que contara com a conivência do padre da paróquia central. Os ‘donos da casa’ abandonavam prontamente salas e jantares aquecidos para engrossar as fileiras do Terno de Reis, entoando refrões no coro crescente que seguia pelas ruas.


Enquanto isso, Elcio e seu grupo acompanhavam o fluxo e entrelaçavam a multidão com seus movimentos, deslizando em zigue-zague, para a frente e para trás, como se costurassem a turba e alimentassem a energia que perpassava os corpos, cantando em marcha.


No passado, a tradição açoriana do Terno de Reis repetia-se a cada Natal, mantida por cantores que se sucediam desde tempos antigos. Naquela época, o Terno costumava percorrer toda a cidade, em trajetos maiores do que o deste sábado. Agora, os romeiros deveriam abreviar o percurso para retornar à praça, dando seqüência aos acontecimentos ainda por vir naquela noite.
A idéia de reviver tudo isso partira de Elcio Rossini. Desde sempre encantado pela estreita faixa litorânea onde fica Mostardas, Elcio foi buscar a tradição do Terno de Reis ainda sobrevivente na cidade. Temporariamente suspenso por falta de estímulo ou de consonância com os novos tempos, ainda assim, os elementos necessários ao Terno estavam lá, frescos na memória de todos. Entre conversas e saraus, os cantores do Terno deixaram-se convencer por Elcio a interromper sua rotina e a ensaiar um acontecimento natalino em pleno mês de junho. Seguiram-se alguns encontros em que Elcio aprofundou-se no repertório do Terno e os cantores tomaram pé do trabalho dirigido por ele. Nasceu, assim, o encontro improvisado no qual cada uma das partes - de um lado, o Terno de Reis de Mostardas e, de outro, a trupe de atores, músicos e coreógrafos de Porto Alegre - traria para a praça o que tivesse de mais próprio e amadurecido.


A procissão se concentrava em torno do caramanchão onde a vendedora de crepes encerrava o trabalho da noite.


A cantoria atingia seu ápice, inebriando a todos, fiéis e incrédulos, mostardenses e portoalegrenses, litorâneos e citadinos, que seguiam os incansáveis trovadores. Sutilmente, sem que se percebesse a passagem entre um momento e outro, o grupo de Elcio Rossini integrava-se à sonoridade da noite, somando instrumentos e canções, arrastando o povo em danças estranhas, coreografadas sobre as canções do Terno e dos músicos da trupe, agora, perfeitamente entrosados. A multidão delirava, dançando e cantando até o ponto em que a turbamulta se tornou um só corpo e se fundiram as estranhezas, somando-se as diferenças em acordos e desacordos. O ar amarelado das lâmpadas incandescentes ressoava, hora áspero, ora harmônico, pairando sobre a multidão inebriada que inundava a pequena praça central de Mostardas.
Em certo momento, o Terno reassumiu a liderança, tomando novamente o rumo da rua. Dessa vez, o destino era a casa de um líder político local, que preparara uma ceia para músicos e atores. Embalada pela euforia da noite, a multidão não abandonava o Terno e voltava a entoar o refrão: Oh senhor dono da casa, abra essa porta! O inevitável aconteceu: a porta foi aberta e, diante da entrada do Terno e atores, seguiu-se a multidão em cantoria, galgando escadas e lotando os dois andares do sobrado para susto dos proprietários que, não tendo como contornar o imprevisto, serviram do que tinham e do que não tinham para aquela massa eufórica, que não cessava de entoar os antigos refrões.


Ouviam-se as toadas e o burburinho generalizado em frente à casa do político onde jantavam músicos, atores e metade da população de Mostardas. A outra metade permaneceria na calçada, em frente à entrada, ao longo de toda a madrugada, como a implorar: Oh, senhor dono da casa, abra essa porta!


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Certa vez, ouvi de uma astrônoma uma explicação sobre a trajetória da luz no vácuo, seu fluxo constante e ideal na ausência de qualquer atrito. A luz, explicava ela, percorre o vácuo em certa velocidade; logo, a duração do percurso é proporcional à distância entre a origem e o destino. Para que pudéssemos compreender o fenômeno inapreensível, a cientista dizia que, por meio de telescópios ideais apontados para a Terra a partir de corpos distantes no espaço, poderíamos reencontrar imagens de qualquer momento já passado em nosso planeta. Assim, a partir de certo ponto do cosmo, veríamos a imagem de Jesus galgando o Monte Sião. De outro ponto, mais remoto, assistiríamos à morte de um caçador do Paleolítico e, retomando o caminho de casa, observaríamos o primeiro vôo de certo pássaro atualmente extinto, um crime desapercebido em plena luz do dia ou, com bastante sorte, avistaríamos três homens mirando um ponto alto no céu do deserto, seguindo a trajetória de um objeto cadente que faria a fama do Dia de Reis.

Salvo os temidos buracos negros, todos os fatos já produzidos seguem sua eternidade de imagens. Recentemente, tornou-se possível retê-las aqui na Terra, segundo a conquista dos irmãos Lumière e de Bioy Casares, com sua melancólica Invenção de Morel. A disponibilidade dessas imagens no espaço cósmico, entretanto, instiga a vontade de avançar infinitamente na distância para recuar infinitamente no tempo, rumo a um passado anterior a nosso próprio passado, à anterioridade absoluta a todos os conceitos e consciências. Era o que dizia a astrônoma, guiando-nos no ambiente abissal em que se deslocam as imagens de nossas vidas e mortes, compondo ciclos luminosos de aparição e desaparição.

Em certos momentos, as grandezas incomensuráveis da ciência vêm amparar os desconcertos da rotina. A hipótese destas imagens a errar pelo universo produz algum conforto quando consideramos que, mais cedo ou mais tarde, o Terno de Reis deixará definitivamente as ruas de Mostardas e já não se repetirá o encontro inebriante daquela noite de junho, consumida pelo fluxo de tempo que lhe deu graça e cadência únicas.

Reconforta também pensar que certos episódios, jamais imaginados, possam se produzir desde que alguém inicialmente se disponha a vencer a pequena distância entre Porto Alegre e Mostardas e a contagiar outras pessoas com a proposição de uma festa extemporânea. A seguir, tudo já se terá passado e nos restará vencer a distância entre a Terra e a Lua, entre o Sol e as Plêiades, entre nossa galáxia e a seguinte, em uma perseguição que poderá se desdobrar, sucessivamente, até os quasares mais longínquos.

O desembarque valerá a pena se dispusermos dos instrumentos adequados e de nitidez suficiente para rever a procissão em torno da praça a acordar os desavisados com um clamor inaudível: “Abra essa porta, oh senhor dono da casa. É o Terno de Reis que chega para lhe saudar!”.
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«Esse texto foi escrito para o amigo Élcio Rossini, que compartilhou com um grupo de amigos um experimento realizado por sua trupe teatral em conjunto com o Terno de Reis, de Mostardas, em uma noite cálida de inverno. O texto permaneceu inédito e integra uma série chamada "Crônicas à Distância", escrita durante um período em que vivi fora do país e que intensificou, a meus olhos, o brilho de experiências tão brasileiras como esta». (Maria Helena Bernardes - agosto, 2008).

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*Maria Helena Bernardes é artista plástica, ensaísta, professora e membro da Arena, associação dedicada a promover debates, trabalhos e publicações de artistas, assim como cursos em História e Teoria da Arte, em Porto Alegre, RS. É autora do livro Vaga em Campo de Rejeito, (Escrituras, 2003), publicado por Areal, projeto realizado em parceria com André Severo.

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O QUE LHE DIRÁ O LEITOR?

*Ronald Augusto
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-------------------Capa do livro Hangares do Vendaval (2007) de Luís Serguilha
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Poeta nascido no ano de 1966, em Vila Nova de Famalicão, Portugal, Luís Serguilha assume com desassombro a prática em abismo do seu “interminável texto”, que também não tem começo, como assinala E. M. de Melo e Castro não deixando dúvidas quanto à sua admiração pela radicalidade da experiência poética de Serguilha. Diante de uma certa tendência, ou precipitação da poesia contemporânea para a rarefação inoperante do verso e um realismo entre cínico e publicitário, a obra do poeta português, recortada contra um semelhante pano-de-fundo, nos causa um desconforto iluminador. Sua poesia exorbitante, movimentando-se a contragosto do solo - ao menos frente às condições brasileiras -, colabora para tornar este “teatro de operações” mais complexo.
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Como objeto deste meu breve comentário acerca de sua poesia, detenho-me preferencialmente nos volumes Lorosa’e - Boca de sândalo (2001), e Hangares do vendaval (2007). Em relação à A singradura do capinador (2005) e O externo tatuado da visão (2002), os dois outros livros que pude ler de Luís Serguilha, Lorosa’e... me parece mais interessante pela opção por um fôlego metafórico de menor extensão. Vale dizer, neste livro o poeta impõe um limite disciplinador à estilema da redundância sintática transgressora com que trabalha de modo obsessivo. Os textos têm medidas inteligentes, formam pequenas peças ideográficas da prescrição do preciso em contato com a voragem do impreciso, ou compósitos de imagens ígneas do sentimento do horror ou dos transes do mundo a enublar (lançando, por sua vez, um pouco de umbra entre o poeta e o mundo da linguagem) um precário locus amoenus. Refiro-me (não escapando à indecisão de minha leitura) às alusões à gente Maubere e ao topônimo Timor, transmutadas em aparições anafóricas pontuando várias seqüências de textos: expedições ao exasperante lugar das inscrições insolventes. Mas, felizmente para mim, seus poemas jamais se aferram às medidas do representado. Eles estabelecem provocativas fraturas de som e sentido.
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Não obstante a estrutural cornucópia de metáforas, o que está em jogo no seu desejo de linguagem (me parece) é uma música obsedante, um ritmo que denuncia a fabulação de uma fala prístina, nascente do discurso, um canto falado que farfalha a ramagem dos nomes. Expressão de uma vontade de trans-expressão. Arrisco-me a dizer que feito as Galáxias de Haroldo de Campos, aos poucos percebemos o (seu) texto como um mar de música tempestuosa, paralelismos, pulsações e acentos estilhaçando palavras e sintagmas contra a pedra porosa da página. Melo e Castro acerta quando aponta para uma “trans-semântica” implicada da poética de Serguilha.
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Já que mencionei a “página”, elemento performativo do poema moderno - cette blancheur rigide como a definiu Mallarmé -, em Lorosa’e - Boca de sândalo anoto também o aproveitamento dos espaços em branco por onde o silêncio (projeção icônica, mas ao reverso, do verbal) respira e conspira; por onde os sentidos se anulam e ao mesmo tempo exsurgem cambiantes: cláusulas permutacionais. Cito os poemas das págs. 145 (“Carícia que abre...”) e 147 (“Timor..”), como exemplos.
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Em obra há pouco lançada, Hangares do vendaval (2007), o espacialismo mallarmaico e a utilização de diversos tamanhos de fontes (caixas altas e baixas) pulsando na justaposição dos versos, entram em jogo de maneira mais franca. No entanto, a contrapelo desse constructo do extravazamento que inere à sua intuição poética, estes insumos vanguardistas mobilizados e aplicados à obra, funcionam mais como índices, ou como fisicalidade da disjunção paratática com que o texto de Serguilha se honora - forçando, por sua vez, uma ruptura com as regras endógenas e públicas do discurso -, do que como informação estrutural de feitio isomórfico. Isto é, poder-se-ia argumentar a propósito da inessencialidade desses gestos de linguagem, porquanto resta a impressão de que para efeito dos procedimentos compositivos sobre os quais se assenta o barroquismo centrífugo de Hangares do vendaval, a espacialidade e o expressionismo no uso das fontes são de importância marginal. Fique assinalado que não são de modo algum irrelevantes; configuram-se, antes, como soluções segundas. Deixemo-las, portanto, reservadas à parte, para a ocasião em que uma leitura mais generosa seja possível.
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Se aceitarmos a idéia de que Luís Serguilha põe em movimento um “interminável texto”, não será um equívoco aventar a hipótese de que cada livro do seu percurso textual caberia, então, na figura de um acidente, aquilo que ficaria no caminho de algo, ou seja, um obstáculo, uma nervosa interrupção no ininterrupto. A impressão de fracasso da função referencial da linguagem produzida por tal poesia - sua celebração entre agônica e hedonista da escritura -, se materializaria no fracasso maior do receptáculo livro, espécie de conquista a contragosto onde de tempos em tempos a linguagem do poeta português precisaria estancar, parar. Em outras palavras, a voraz anamorfose imagética da poesia de Serguilha parece às vezes enveredar para um simulacro de paradoxos estetizantes frente à necessidade de moldar-se à coerção do suporte livresco. A lembrança de uma metáfora cabralina, quem sabe, venha a calhar para o caso: guardada entre as capas, a linguagem sem amarras de Luís Serguilha, em algumas ocasiões se assemelha, num paroxismo, a uma “água paralítica”. O plutonismo de sua fanopéia sobe à tona do verbal e vira flama fria; o magma das plurissignificações se solidifica.
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Mas, o “interminável texto”, epíteto através do qual E. M. de Melo e Castro denomina a poesia em tela, se conota também com o conceito de texto exeperimental. Móbile perpétuo, fabulário e fricção de afecções verbais, cuja algaravia em fuga acaba dissipando o escrito, a poesia de Luís Serguilha mimetiza o modus faciendi da “floresta cifrada” do poema-livro Cobra Norato (1931), de Raul Bopp (1898-1984). O poeta modernista visualiza as “terras do Sem-fim” amazônico como uma fabulosa oficina de onde emergem a natura hard e o fantasmático febricitante: “Ouvem-se apitos um bate-que-bate/ Estão soldando serrando serrando/ Parece que fabricam terra/(...)/ Chiam longos tanques de lodo-pacoema/ Os velhos andaimes podres se derretem/ Lameiros se emendam/ Mato amontoado derrama-se no chão”. Com efeito, a floresta não está pronta. As árvores ainda “estão estudando geometria”. A selva, operosa, contratada “pra fazer mágica”, vive “com insônia”. Folheio o Cobra Norato, e por entre os “silêncios imensos [que] se respondem”, vislumbro as coagulações metafórico-sinestésicas presentes em Hangares do vendaval, que se recusam a alcançar um “sentido completo”: “A águia da cicatriz funda o redemoinho da fronteira para aventurar-se...”; “AS FÓRMULAS/ DO CAMALEÃO QUÍMICO...”; “...transmutações das bancas/ cambaleantes das lavandarias...”; “...as colheitas-transes/ da mão-de-obra/ das matilhas/ entre/ os teares das/ migrações/ silenciosas”, etc. Como as árvores e os rios instáveis do poema Cobra Norato, os versículos encharcadiços de Luís Serguilha “estão condenados a trabalhar sempre sempre”. No entanto, a dialética em oximoro dos “lameiros que se emendam” (Bopp), “do calor que experimenta os alicerces esvaziados” (Serguilha), tem como resultado um discurso que se projeta - ou que fundamenta sua “razão de estado” -, no desmanche de “escrituras indecifradas” (Bopp). A leitura exegética desse processo poético se presta a um jogo, a um só tempo, fortuito e forçoso. Pois, neste caso, o livro-logro faculta ao leitor, como chave léxica, a possibilidade de começar a leitura “abrindo uma página qualquer, ao acaso”. A linguagem labiríntica de Luís Serguilha inventa “fechaduras luciferinas” para os seus não-livros.
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O crítico Sérgio Paulo Guimarães de Sousa, considerando talvez o ponto de vista do leitor, comenta o “violento hermetismo” da poesia contida em Lorosa’e - Boca de sândalo. A questão que levanto é a de que não há um texto-poema hermético em absoluto. Há um poema e suas lacunas constitutivas, isto é, a invocação de uma interpretação possível para cada leitura que se dá no tempo e na vivência deste leitor-poeta. E esta leitura é irredutível a ele e ao momento que o perturba e cerca. O leitor não tem de alcançar “o” significado, ou concordar com o significado deste ou daquele superexegeta, não; ele precisa construir o seu sentido a partir de uma fruição sem fios e no interior da linguagem, a partir de um olhar quase naïf para o texto. E a poesia de Luís Serguilha, onde o mundo se revela por meio de um espetáculo às avessas, e, ainda, como filha de Hermes, divindade do trânsito e da verberação equívoca e metalingüística, do translado de signos e de insígnias, é, portanto, um convite desafiador à fantasia e à liberdade do leitor-colaborador, leitor-intérprete - em sentido musical.

Ronald Augusto - 2008
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*Ronald Augusto (1961), atua em inúmeras áreas: é músico, letrista, ensaísta e possui ainda um trabalho significativo no âmbito da literatura. Como poeta alcançou expressividade no cenário nacional e até mesmo mundial, de tal forma que suas produções foram publicadas em revistas literárias, bem como em antologias, dentre elas destacamos: A Razão da Chama, organizada por Oswaldo de Camargo (1986); a revista americana Callaloo: African Brasilian Literature: a special issue EUA (1995); a revista alemã Dichtungsring Zeitschrift für Literatur; e outras.


dacostara@hotmail.com
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ROUE DE BICYCLETTE: UN MONUMENTO DE LA MODERNIDAD O EL NACIMIENTO DEL ARTE CONCEPTUAL

*Sergio Gonzalez Valenzuela

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Marcel Duchamp. Roda de Bicicleta, 1913. Ready-made, madeira e metal.



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“El objeto es una metáfora, una representación de Duchamp: su reflexión sobre el objeto es también una meditación sobre sí mismo”.
-Octavio Paz-


Como ya ha sido señalado una de las búsquedas más trascendentes de la “modernidad” ha sido la que Compagnon denomina: “El prestigio de lo nuevo”. De modo que los movimientos artísticos de final del siglo XIX, y el posterior surgimiento de las vanguardias se relacionan con una cierta superación y rechazo de lo antiguo, lo clásico. Por otro lado, esta modernidad se plantea tanto como una reivindicación del momento actual –dentro de un largo proceso artístico-cultural-, o bien, como “la posibilidad de una estética de lo nuevo” (1), vinculando la producción de arte con el desarrollo de la técnica y el progreso industrial. De este modo, dicha producción artística se verá irremediablemente vinculada a lo perecible y/o desechable que surge con la noción de ‘moda’, salvo que en un giro contradictorio opte por ser “digna de convertirse en antigüedad...” (2), es decir, en volverse clásica, en trascender su momento, y de esta forma traicionar toda su supuesta “modernidad”. De este modo, la invención de la fotografía y las amplias posibilidades de 'reproducción técnicas o mecánicas', le permitieron al arte del siglo XIX una lenta pero progresiva emancipación de la función mimética, para llevarla finalmente a un camino de autonomía y reflexión tan revolucionarias como lo fue la aparición de las vanguardias a principios del siglo XX.


2
"Lo bello es siempre extraño".
-Charles Baudelaire -



Es dentro de este espíritu que podemos entender los cuatro rasgos de la modernidad en la pintura señalados por Baudelaire: lo no determinado; lo fragmentario; la insignificancia o la pérdida de sentido; y, la autonomía. Los cuales se refieren a la ruptura de la tradición pictórica en todos sus aspectos. En primer lugar lo ‘no determinado’ se relaciona con el distanciamiento de la representación mimética de la realidad; lo ‘fragmentario’ alude a la importancia que se le atribuye al detalle (el primer plano) por sobre la visión de conjunto; la ‘insignificancia’ se refiere a la pérdida del tema, es decir la no literalidad de la pintura; y, la ‘autonomía’ se refiere a la desvinculación con la tradición, por tanto, la pintura se vuelve autocrítica y auto-referente. Todo lo cual determinaría algunos de los aspectos característicos de la "modernidad" en el arte.

En medio de este panorama es donde instalamos la figura de Duchamp, y específicamente su primer ‘ready-made’ (3). “Roue de bicyclette” fue ensamblada por Duchamp en el año de 1913 [aquí nos enfrentamos a la primera paradoja. El “original” se perdió, los que conocemos son “copias” realizadas y/o autorizadas por el propio Duchamp (en 1916 y en 1951), lo que afirma que: “La obra de arte ha sido siempre fundamentalmente susceptible de reproducción” (4). Esto pone de manifiesto dos nuevos problemas: la obra de arte entendida como “original”, y las posibilidades de reproducir dichas obras. En el primer caso nos situamos en el ámbito de la experiencia aurática; en el segundo, observamos lo contrario: la destrucción del aura (5), donde la excelencia de la reproducción se ve afectada por el estigma de la copia: “...incluso en la reproducción mejor acabada falta algo: el aquí y el ahora de la obra de arte, su existencia irrepetible...” (6)]. Este objeto es el resultado de un ‘ensamblaje’ [lo que lo sitúa en la sub-categoría de ready-made rectificado] (7), entre una rueda de bicicleta (sin cámara ni neumático) y un taburete de madera.

En este caso observamos dos aspectos fundamentales: por un lado la elección azarosa y neutra de un objeto (lo que sin embargo, no dejaría de incluir algún tipo de voluntad artística iconoclasta, ya que en este caso nos enfrentamos a una ‘construcción’ escultórica tectónica y cinética, después volveré sobre este punto), y por otro, el hecho de firmar una obra, en este caso un objeto cotidiano [en este caso un útil –la rueda de bicicleta-, que ha sido rescatado de su condición de desperdicio, puesto que por si sola no sirve para nada, salvo para instalarla (8) sobre un taburete de madera-, y de este forma atribuirle un aura y una certificación de ‘originalidad’ y de ‘autoría’]. “Buscar piedras diferentes o iguales no son actos distintos: ambos afirman que la naturaleza es creadora. Escoger una piedra entre mil equivale a darle nombre [...] Por eso el arte, según Aristóteles, es imitación: el poeta imita el gesto creador de la naturaleza. El chino lleva hasta su última consecuencia esta idea: escoge una piedra y la firma inscribe su nombre en una creación y su firma es un reconocimiento; Duchamp escoge un objeto manufacturado: inscribe su nombre en una negación y su gesto es un desafío” (9). Gesto que deviene negación del artista, que no ‘produce’, sino más bien, recoge y ‘escoge’.

Desafío en cuanto a que su firma (le otorga un aura, que como objeto industrial seriado no poseería, salvo el de marca y número de serie) y su elección elevan un objeto común a la categoría de obra de arte (10), por tanto, digna de ubicarse en un museo y de ser contemplada.



3
"Il 'ready-made' dunque è lì, davanti a noi. Non evoca niente. Insiste, persiste ad essere semplicentemente lì. Significa solo se stesso, rimanda soltanto alla propria 'insignificante' precenza".
-Massimo Carboni-


Cuando pensamos en la muerte del arte augurada por Hegel (11), debemos pensar concretamente en la muerte del mercado del arte, de la obra de arte concebida como objeto artístico sometido a un valor de cambio. Este es desplazamiento del valor cultual de la obra de arte por el de valor exhibitivo referido por Benjamin (donde se establece una relación incierta entre el valor de uso y el valor de cambio, ya que se puede pasar del fetiche a la mercancía en forma muy arbitraria). En este caso el gesto de Duchamp se convierte en una dislocación del sentido de obra-mercado, o mas bien, el 'sin sentido' (o el "satori" zen) como la única posibilidad de redimir el quehacer artístico. Dentro de este aspecto es que debemos considerar que los ready-mades no fueron concebidos como objetos de arte y menos como productos para ser expuestos en un museo (a excepción del caso de la presentación al Salón de los Independientes del urinario "Fontaine"), lo que se relaciona con la “l’estetzació generalitzada, capaç de museïtzar qualsevol cosa. ‘¿És possible encara fabricar alguna cosa que no sigui art?’, es preguntava Marcel Duchamp, en posar en circulació els ‘ready-made’” (12). Lo que se transforma en una actividad de fetichización que se relaciona con acumular, amontonar y preservar para luchar contra el tiempo que es capaz de producir la desaparición del objeto convertido por la industria en objeto de utilidad o de placer, por eso el museo se transmuta en “una cripta, una xarxa de criptes: un mausoleu” (13). Aquí se presenta la paradoja del objeto como fetiche o como posesión comercial, situándose entre lo sagrado y lo profano que cada una de estas actitudes supone (14).



4
“Un punto que quiero dejar muy claro es que la elección de estos ‘ready-mades’ nunca estuvo dictada por una delectación estética. La elección se basaba en una reacción de ‘indiferencia’ plástica, acompañada, al mismo tiempo, de una ausencia total de buen o mal gusto, de hecho una anestesia completa”.
-Marcel Duchamp-


En este panorama surge la voluntad artística de Duchamp de elegir objetos y “auratizarlos”. El ready-made nunca tuvo la pretensión de instalarse en el ámbito de las galerías de arte, ya que al ser productos antiartísticos y anestéticos (15) trascendían la noción de objeto museográfico, de allí que muchos de ellos se hayan perdido sin significar una pérdida de obras únicas e irrepetibles, ya que sabemos que Duchamp realizó o autorizó nuevas versiones de los mismos. Sin embargo, lo más radical del gesto consiste en que el ready-made se presenta como una crítica hacia el mercado del arte, hacia la burguesía (16). No es de extrañarse de que esto implicara un antecedente reconocido por los dadaístas, dentro de lo que se llamó la 'estética del shock' (Benjamin). Por eso el ready-made no es un objeto valioso, ni hermoso, ni útil. Al contrario, es parte de lo que Duchamp denomina la 'belleza de indeferencia', es una trasgresión del gusto, es otorgar una contemplación estética a un objeto "familiarmente estraneo, enigmaticamente ovvio" (17), lo que Paz explica del siguiente modo: "Ahora todos esos objetos, arrancados de su contexto histórico, su función específica y su significación original, se ofrecen a nuestros ojos como divinidades enigmáticas y nos exigen adoración" (18). Un regreso a la teoría de Benjamin. Lo que la vanguardia consiguió a través del descrédito de la obra de arte fue la exaltación del gesto artístico (de aquí al arte conceptual hay solo un paso). Ya que cada ready-made se convirtió en icono, producto de la transmutación del objeto y de la secularización del arte donde "los museos son nuestros templos y los objetos que se exhiben en ellos están más allá de la historia" (19). En este sentido es como los objetos se vuelven ídolos, para luego convertirse en ideas, donde pasan a ser realidades autónomas, autosuficientes y con una finalidad en sí mismos.

Así, de la negación del sentido por el objeto a la negación del objeto por el sentido. Aporía de aporías. Estética negativa, arte combativo y desesperanzado, donde los cambios exigen la novedad, la distinción que es el emblema de la moda. Sin embargo, el ready-made se inmortaliza al ser bello por designación, al ser auratizado por la firma (certificado de autenticidad y unicidad) y por el disegno. Eternidad asegurada en el museo por la conservación a diferencia del objeto industrial que al volverse inútil termina en el basurero.


5
"Arte es lo que el artista llama arte".
-Marcel Duchamp-

La escultura supone dos procedimientos: sustractivos o de desbaste y aditivos, los que pueden dividirse en estereotómicos y tectónicos, es decir, moldeables y construibles. A partir de esta diferenciación puedo afirmar -siguiendo la tesis de Rosalind Krauss-, que "Roue de Bicyclette" si es una escultura, ya que como ya señalé es un ensamblaje -por tanto tectónico-, tridimensional y a la vez móvil (20). Por lo que esta 'obra' no sólo marca un hito dentro de la escultura de la modernidad, sino que además realiza realmente los conceptos de movimiento y espacialidad (en este aspecto hay una relación más directa con el trabajo de Tinguely que con la obra de Calder). En este sentido es claro que existe una voluntad de espectador activo por parte de Duchamp (ya que sólo este puede poner en movimiento -circular masturbatorio según algunas interpretaciones- la rueda de bicicleta), como también de su inserción espacial, es lo que Barnett Newman llama "aquello con lo que tropiezas cuando retrocedes para mirar un cuadro" (21). Pero no solamente es este estorbo, sino que a través "de la representación de sus propios materiales o el proceso de su construcción, la escultura muestra su propia autonomía" (22), es la posibilidad de experimentar la espacialidad exenta a los muros y a la bidimensionalidad de la pintura. Si a eso agregamos el aspecto 'móvil' de este ready-made, sí que nos enfrentamos a un hito artístico. Si además consideramos la condición negativa de la escultura en relación al monumento (23), podemos pensar de que “Roue de Bicyclette" puede ser pensada como un monumento de la crisis de la modernidad y de la cisión del arte de las vanguardias, a la vez que "se nos presenta como un eslabón imprescindible en la cadena evolutiva de la historia del arte" (24), ya que si pensamos en las dicotomías planteadas por Compagnon respecto a las vanguardias, Duchamp es el héroe 'per se' de la vertiente 'destructiva, negativa y nihilista' representada por el movimiento Dadá. Lo que expresado por el propio Duchamp se traduce en su metaironía, en belleza de indiferencia, signo de la concordancia y ... (*Sergio González Valenzuela, Mayo 1997).
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NOTAS

1.- Compagnon, en “Las cinco paradojas de la modernidad”. Monte Ávila Editores, Caracas, 1993.
2.- Compagnon, op. cit.
3.- Definición de Ready-made: “objects manufacturés promus à la dignité d’objects par le choix de l’artiste”. Marcel Duchamp en “Dictionnaire abrégé du Surréalisme”, José Corti, Rennes, 1969.
4.- Walter Benjamin: “La obra de arte en su período de reproductibilidad técnica”. En Discursos Interrumpidos I, Taurus, Madrid, 1989.
5.- Definición de Aura: “definiremos esta última como la manifestación irrepetible de una lejanía (por cercana que pueda estar)”. Walter Benjamin en “La obra de arte en su período de reproductibilidad técnica”. Op. cit.
6.- Walter Benjamin: “La obra de arte en su período de reproductibilidad técnica”. Op. cit. Los ready-made pueden ser clasificados como ready-made (pariente del objet trouvé surrealista), ready-made ayudado, ready-made recíproco, ready-made rectificado, etcétera. O bien refiriéndose a su materialidad: objeto ensamblado, objeto firmados, objetos construidos, objetos lúdicos, etcétera. J.A. Ramírez propone una clasificación de acuerdo al grado de rectificación y complejidad del ensamblaje, y una segunda en relación al grado de exigencia de manipulación de los ready-mades, siendo estos: para mirar, de manipulación recomendable y de manipulación obligatoria.
7.- Definición de Assemblage: "Cette façon de construire établit un rapport entre materiaux de caractéres differents, et permets à l'artiste faire des œuvres avec une grande complexité structurale, ou l'on voit la difference entre des élements tels comme du bois, de la peinture, du matèriel graphique et des informations de procedence diverse", en Catalogue "Répétion générale" Fonds Regional d'Art Contemporain - Rhône-Alpes / Frac, Museo de Arte Contemporáneo, 1995. En este caso hay que mencionar que esta 'intervención' supone una diferenciación con el objeto en "estado natural", lo que de alguna forma lo aleja de la noción surrealista del "objet trouvé", que es definitivamente mucho más estético y poseedor de un contenido manifiesto o latente, muchas veces bastante evidente. “De ahí la necesidad de «rectificar» al ‘ready-made’: la inyección de ironía lo ayuda a preservar su anonimato y su neutralidad”, O.Paz, Op. cit.
8.- “... el útil está subordinado al hombre que le emplea, que puede modificarlo a su gusto, con vistas a un resultado determinado”, Georges Bataille en “Teoría de la religión”, Taurus, Madrid, 1975.
9.- Octavio Paz en “Apariencia Desnuda – La obra de Marcel Duchamp”. Era, México D.F., 1985.
10.- “Los ‘ready-made’ son objetos anónimos que el gesto gratuito del artista, por el solo hecho de escogerlos, convierte en obras de arte. Al mismo tiempo, ese gesto disuelve la noción de «objeto de arte». La contradicción es la esencia del acto; es el equivalente plástico del juego de palabras: éste destruye el significado, aquél la idea de valor. Los ‘ready-mades’ no son anti-arte, como tantas creaciones modernas, sino ‘a-rtísticos’. Ni arte ni anti-arte sino algo que está entre ambos, indiferente en una zona vacía”. Octavio Paz, op. Cit.
11.- “Cuando por el arte o por el pensamiento un objeto se vuelve de tal modo accesible a la percepción sensible que su contenido se encuentra por así decirlo agotado, cuando todo se vuelve exterior y no queda nada oscuro no interior, el interés absoluto por ese objeto desaparece”. G.F.W. Hegel en “Leçon d’Esthétique”, Ed. Aubier, 1944. Citado por Guido Morpurgo-Tagliobue en “La estética contemporánea”, Losada, Buenos Aires, 1971.
12.- Pilar Parcerisas en “El museu i els seus fetitxes”. Diari Avui – Suplement Cultura, 1997. www.avui.es/avui/hist/textes.html
13.- Pilar Parcerisas. Op. Cit.
14.- “... lo que es sagrado atrae y posee un valor incomparable, pero en el mismo momento eso aparece vertiginosamente peligroso para este mundo claro y profano donde la humanidad sitúa su dominio privilegiado”. Georges Bataille, Op. Cit.
15.- “En el caso de los ‘ready-made’ la relación no es de fusión sino de oposición: son objetos hechos contra el público, contra nosotros. De una y otra manera Duchamp afirma que la obra no es una pieza de museo; no es un objeto de adoración ni de uso sino de invención y creación [...] Una vez más Apollinaire dio en el blanco: Duchamp intenta reconciliar arte y vida, obra y espectador. Pero la experiencia de otras épocas es irrepetible y Duchamp lo sabe. Arte fundido a la vida es arte socializado, no arte social ni socialista y aún menos actividad dedicada a la producción de objetos hermosos o simplemente decorativos. Arte fundido a la vida quiere decir poema de Mallarmé o novela de Joyce: el arte más difícil. Un arte que ‘obliga’ al espectador y al lector a convertirse en un artista y en un poeta”, O.Paz, Op. cit.
16.- “El ‘ready-made’ no postula un valor nuevo: es un dardo contra lo que llamamos valioso. Es crítica activa: un puntapié contra la obra de arte sentada en su pedestal de adjetivos. La acción crítica se despliega en dos momentos. El primero es de orden higiénico, un aseo intelectual, el ‘ready-made’ es una crítica del gusto; el segundo es un ataque a la noción de obra de arte”, O.Paz, Op. cit.
17.- Massimo Carboni en "Il Sublime è ora". Castelvecchi, Roma, 1993.
18.- O.Paz en “El uso y la contemplación”. En “In/mediaciones”. Seix Barral, Barcelona, 1986.
19.- O.Paz en “El uso y la contemplación”. En “In/mediaciones”. Seix Barral, Barcelona, 1986.
20.- "El primer ready-made (1913) es, de hecho, el ensamblaje de una rueda delantera de bicicleta y de un taburete. La horquilla está pintada de negro y el taburete de blanco. El giro simultáneo de la rueda y de la horquilla producen una esfera", J.A. Ramírez citando una nota del Museo de Arte de Filadelfia, en “Duchamp: el amor y la muerte, incluso”. Siruela, Madrid, 1993.
21.- Citado por Rosalind Krauss en “La escultura en el campo expandido”. En “La posmodernidad”. Kairós, 1986.
22.- R. Krauss, Op. Cit.

23.- "Por monumento, en el sentido más antiguo y primigenio, se entiende una obra realizada por la mano humana y creada con el fin específico de mantener hazañas o destinos individuales (o un conjunto de estos) siempre vivos y presentes en la conciencia de las generaciones venideras", Aloïs Riegl en “El culto moderno a los monumentos”. Visor, Madrid, 1987.
24.- A. Riegl, Op. Cit.


BIBLIOGRAFÍA CONSULTADA


1.- Compagnon, A. “Las cinco paradojas de la modernidad”. Monte Ávila Editores, Caracas, 1993.
2.- Krauss, R. “La escultura en el campo expandido”. En “La posmodernidad”. Kairós, 1986.
3.- Ramírez, J.A. “Duchamp: el amor y la muerte, incluso”. Siruela, Madrid, 1993.
4.- Paz, O. “El uso y la contemplación”. En “In/mediaciones”. Seix Barral, Barcelona, 1986.
5.- Clair, J. “L’œuvre de Marcel Duchamp (Catalogue)”. Centre National d’Art et de Culture Georges Pompidou, Paris, 1977.
6.- Schwarz, A. “Marcel Duchamp: La mariée mise a nu chez Marcel Duchamp, même”. Editions Georges Fall, Paris,1974.
7.- Riegl, A. “El culto moderno a los monumentos”. Visor, Madrid, 1987.
8.- Paz, O. “Apariencia Desnuda – La obra de Marcel Duchamp”. Era, México D.F., 1985.
9.- Carboni, M. "Il Sublime è ora". Castelvecchi, Roma, 1993.
10.- Benjamin, W. “Discursos Interrumpidos I”, Taurus, Madrid, 1989.
11.- Parcerisas, P. “El museu i els seus fetitxes”. Diari Avui – Suplement Cultura, 1997. www.avui.es/avui/hist/textes.html
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*Sergio Gonzalez Valenzuela. Profesor de la Universidad Finis Terrae (Santiago de Chile). Licenciado en Teoría e Historia del Arte de la Universidad de Chile gracias a una tesis sobre Marcel Duchamp. Trabajó como Curador Asistente en el MAC de Santiago de Chile y en el MNCARS de Madrid. Actualmente es curador independiente y co-curador de la exposición "Joan Brossa, desde Barcelona al Nuevo Mundo". Administrador de los blogs: La Poesia en el Campo Expandido y La Cosa Stessa- Arte & Cultura